Centro de Estudos em Filosofia Americana
CEFA. Entidade de Estudos e Pesquisas sem fins lucrativos.
CNPJ 05305432 0001 24. Endereço: Avenida Corifeu de Azevedo Marques 5680 F-24. Cidade de São Paulo. Estado de São Paulo, Brasil. CEP 05340002.
Pós graduação em filosofia - ética
Pós-graduação Pós Graduação em Filosofia O Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA), o Portal Brasileiro da Filosofia (PBF), a Filosofilmes e a Faculdade Diadema (FAD) estarão iniciando o seu programa de pós graduação em filosofia e filosofia aplicada a partir de 2008.
O primeiro curso oferecido será em Ética para Filósofos e Não Filósofos, na modalidade lato sensu, com duração de um ano. O curso será parcialmente presencial e parcipalmente virtual, respeitando as possibilidades de dedicação de cada estudante, com ênfase na discussão de temas clássicos da ética entrelaçados com problemas da vida urbana moderna, e no comprometimento com a produção monográfica de modo a capacitar o estudante para uma primeira habilitação para o ensino superior, para a pesquisa e, enfim, para um melhor desempenho nas atividades profissionais em diversos campos de atuação.
O trabalho será desenvolvido por professores especialmente voltados para o curso, todos filósofos com o título mínimo de doutor e com experiência no campo da ética e filosofia política:
Paulo Ghiraldelli Jr, pós-doutor em medicina social, com ênfase em filosofia (do corpo) pela UERJ, doutor e mestre em filosofia pela USP, doutor e mestre em filosofia da educação pela PUC-SP, titular e livre docente pela Unesp.
Orlando Linhares, doutor pela unicamp em filosofia, especialista em Kant, professor da Universidade Mackenzie.
Roger Campato, doutor pela UFSCar em filosofia, especialista em Habermas, professor da Universidade Mackenzie.
A direção do curso caberá ao diretor atual da FAD, professor Gilmar Garagorry. Maiores informações: FAD, com o professor Gilmar Getúlio Garagorry. E-mail: gilmargaragorry@uol.com.br Fone FAD: 11 4056 5651
Filosofia Americana - o que é isto?
Os brasileiros que não são do "ofício da filosofia" estranham quando escutam a expressão "filosofia americana". A filosofia ainda não é vista como algo possível de ter raízes na "América".
Para a opinião comum, para o "homem popular", cada país tem sua marca, e quando se trata de ver as qualidades de um local e não suas mazelas e infortúnios, os retratos são interessantes: o Brasil, sabemos, é o país do samba e do futebol, a Argentina é o país do tango, o Japão é a nação da tecnologia e das miniaturas, a França cuida da moda e das revoluções, a Alemanha é o país dos intelectuais herméticos, a Espanha é a pátria das touradas e do catolicismo, a Itália é a casa do Papa e da boa comida e assim por diante. E os Estados Unidos?
Os Estados Unidos são o local do cinema, da literatura e do fast food. Filosofia? Não! Poucos no Brasil, mesmo entre professores de filosofia, lembram que os Estados Unidos deram ao mundo filósofos que inspiraram Nietzsche, como Emerson, ou que motivaram Habermas, como Dewey, ou que alimentaram intelectualmente Bergson, como William James. É difícil no Brasil as pessoas saberem que Derrida e Umberto Eco tiveram suas melhores discussões com Rorty, e que Foucault é muito mais um ídolo nos Estados Unidos, hoje, do que na França. Mesmo Marcuse, o alemão que coordenou o "boom" da leitura frankfurtiana na América, e que, enfim, sobreviveu ao nazismo por estar nos Estados Unidos, não é visto – o que é um erro – como um filósofo que só fez o que fez por estar nas terras do Novo Mundo. Há um véu nos olhos dos brasileiros escolarizados, eles não conhecem os Estados Unidos, não sabem da força e do poderio da filosofia americana.
Alguns brasileiros, que conhecem um pouco de filosofia americana, ainda assim tomam Quine como filósofo da ciência somente, e até esquecem que Thomas Kuhn era americano. Não raro, os que estudam filosofia política, não notam que Rawls e Nozick são americanos e somente como americanos poderiam ter escrito o que escreveram.
Mas o resto do mundo não participa desse dificuldade brasileira, desse tropeço, digamos assim. No mundo todo, do Irã ao Japão, do Paquistão à Romênia, da Rússia à Índia, da Argentina à Espanha, os melhores professores de filosofia e muitos bons estudantes de várias áreas estão lendo Bernard Williams, Robert Brandom, Hilary Putnam, Martha Nussbaum, Julia Annas, Susan Haack, Gregory Vlastos, Donald Davidson, Willard Van Orman Quine, Richard Bernstein, Daniel Dennett e, é claro, Richard Rorty.
Os americanos deixaram de ser colonos embrutecidos, criaram suas universidades, transformaram-nas nas maiores e mais ricas instituições de ensino e pesquisa do mundo e, enfim, passaram a produzir filosofia "como gente grande". O mundo desenvolvido, hoje, sabe bem que não é possível mais fazer filosofia sem ler e dialogar com os herdeiros dos colonos pioneiros que, em um passado não muito distante, andavam armados nas ruas, prontos para duelos. O próprio Max Weber, dizem, não se encontrou com um jornalista porque o achou muito rude, uma vez que este havia participado de um duelo com revólver um dia antes do encontro. Weber, como diziam, achava que o duelo de gente civilizada era o de espadas – mesmo já proibido na Alemanha de seu tempo. Todavia, Weber rendeu homenagem às universidades americanas - ele sabia que elas superariam as da sua velha Europa.
Entre nós, Monteiro Lobato e Anísio Teixeira se preocuparam, no passado, em trazer para cá a cultura e a filosofia americanas. Anísio criou o INEP e foi um filósofo discípulo de Dewey, um de seus melhores scholars. Sem Anísio Teixeira, talvez não tivéssemos produzido um Paulo Freire, por exemplo. Mais recentemente, Jurandir Freire Costa na psicanálise, Luiz Eduardo Soares na antropologia, Alberto Tosi na ciência política e eu, Paulo Ghiraldelli, na filosofia e filosofia da educação, tentamos dar impulso ao pensamento filosófico americano no Brasil. Não somos os únicos, é claro, mas somos os que assumiram que os pensadores americanos não são apenas "pensadores a mais", são fundamentais hoje em dia. O Centro de Estudos em Filosofia Americana é parte desse trabalho que não pode mais esperar, que é o trabalho de ... descobrir a América. Ou fazemos isso, ou vamos ficar olhando de longe o mundo passar.
02 de julho de 2007
© Paulo Ghiraldelli Jr.